COMO SENTIR PRAZER COM AS REFEIÇÕES

Na nossa cultura atual onde o ato de comer é considerado uma questão de disciplina e de nutrição, o sentir prazer com as refeições é muitas vezes colocado de parte ou até negligenciado. 

Vivemos numa cultura que valoriza o sofrimento e a dificuldade.

Como tudo começou

Estudo mostram que antes de haver televisão não havia tantos transtornos alimentares, tantas “dietas da moda” e não havia a necessidade de ter o “corpo perfeito”.

Naquela altura a alimentação era ainda mais natural, comia-se o que se tinha, o que se queria e sem medo ou culpas. As refeições tinham um peso ainda maior, eram momentos de enorme alegria, partilha, família e prazer. 

Porém, hoje em dia, andamos constantemente à procura de soluções rápidas e urgentes para obter um tal resultado. Resultado esse que advém de uma extrema expectativa de 

quando eu estiver assim…

ou 

quando eu tiver isto ou aquilo

é que a vida vai ficar perfeita e é assim que irei ser feliz.

Mas, na verdade, são raras as vezes que isto acontece. 

Primeiro, quando projetamos o resultado no objetivo final, a caminhada é longa e quase inatingível. Mas, ainda assim, fazemos de tudo para conseguir a tal recompensa imediata. Nem que para isso tenha de haver dor continua, sofrimento, fome, privação, tristeza, angustia, desmotivação, punição, etc.

Preferimos punir o presente com a esperança num futuro melhor. 

Acreditamos na crença social de que “é preciso sofrer para conseguir algo“.

Porém, com a tua alimentação, sendo esta uma necessidade básica, não tem de ser necessariamente assim. 

Como temos prazer nas refeições?

O paladar e as preferências alimentares – que nos levam a sentir prazer nas refeições – começam a formar-se durante a gestação, durante o período de amamentação, durante os estágios de desenvolvimento, pelos genes que influenciam a perceção do sabor e pela predisposição para a reação fóbica a novos alimentos.

Os sabores podem ser: doce, salgado, amargo, azedo e umami. Este último menos conhecido é composto por uma substância chamada glutamato e pode ser encontrado nos queijos, carnes e em alimentos ultraprocessados, como salgados e temperos prontos. 

Na lista de ingrediente podemos dar fé dele quando aparece: glutamato monossódico.

Mas obviamente que a indústria usa-o em altas quantidades para aumentar o sabor dos alimentos e assim ser ainda mais difícil parar de os comer.

O sabor é um fator muito importante para se sentir prazer nas refeições mas as substâncias presentes nos alimentos também o são. 

Ora vejamos:

A serotonina é a substância responsável pelo bom humor e bem estar. Esta pode ser produzida a partir da substância triptofano presente no chocolate.

Mas não é só o sabor que reflete o prazer, todos os 5 sentidos acima mencionados desempenham um papel crucial nisto.

Quando se sente prazer com um alimento

Um chocolate com um cheirinho bom, com uma textura macia que se desfaz quando entra em contacto com a saliva, o som da mastigação, o sabor doce ou amargo (depende do gosto de cada um) que se sente quando começamos a mastigar… Aqui a sensação de prazer é certa.

Por isso é que o chocolate é um dos alimentos mais apetecidos nos dias de maior stress, mau humor, fome emocional, etc.

Quando a expetativa é quebrada e o prazer desaparece

Mas imagina agora uma batata frita que tem aquele sabor ótimo que tu tanto adoras, porém está “murcha”, achas que ela vai dar-te a mesma sensação de prazer do que se ela estivesse no ponto? Provavelmente não.

As experiências que tiveste e tens com os alimentos também conta muito para o teu atual relacionamento com a comida

Memórias vs prazer

Imagina que o chocolate te faz lembrar algum episódio triste, poderás então, mesmo que inconsciente, evitar comer este alimento mesmo que ele desperte os teus sentidos. 

O mesmo acontece quando se associa o “proibido” a algum alimento como se fosse por causa dele que houvesse um aumento de peso, por exemplo. 

Portanto, começamos a sentir prazer nas refeições desde muito cedo. Mas, com o passar dos anos e perante todas as influências familiares, culturais e sociais este prazer começa a dissipar-se devido às regra impostas que desregulam por completo o nosso organismo.

Prazer vs Alimentação equilibrada

Atualmente acredita-se muito que para se sentir prazer com as refeições estas têm de ser com elevado teor de açúcar (doces), gorduras ou sal mas na verdade não. 

É também possível ter-se uma refeição equilibrada sendo esta na mesma prazerosa.

Uma alimentação equilibrada e ao mesmo tempo prazerosa pode incluir chocolates, doces, salgados mas também pode incluir alimentos naturais. 

A ilusão

As dietas contribuem para esta visão de que uma alimentação equilibrada é somente baseada em alface, tomate e proteínas magras e sem gordura. Ouvimos dizer que isto é o que precisamos comer para conseguirmos ficar com o corpo XPTO como a sociedade dita. 

A realidade

Mas o que se vê é que: no primeiro dia ficas toda animada e cheia de motivação, no segundo dia ficas meia motivada meia desanimada, no terceiro dia já estás a pensar em desistir, no quarto dia não aguentas ver mais tomate e alface à tua frente e ganhas aversão a estes alimentos. 

Todo este processo irá enraizar a crença que é impossível sentir prazer ao comer alimentos naturais. 

No entanto, Isto também acontece pela falta de variedade e a ansiedade para emagrecer. 

Ainda assim é preciso ter em atenção que tudo tem uma explicação. Há alguns alimentos que têm substâncias capazes de aumentar a produção de neurotransmissores, como referi acima, que são conhecidos como dopamina, serotonina, endorfina e ocitocina. Quando estas substâncias são libertadas geram sensações de prazer e bem estar. 

Temos no cérebro uma região denominada de centro da recompensa que quando estimulada liberta dopamina e gera a tal sensação de prazer. 

Por isso é que mudar somente o comportamento, neste caso o tipo de alimento, não resulta a longo prazo. O processo é muito mais interno e complexo. 

Como encontrar o prazer nas refeições?

Para redescobrir o prazer sugiro esta avaliação: 

  1. o que queres comer naquele momento:
  2. o que te apetece mais; 
  3. quais são as sensações que a comida provoca, como sabor, textura, aparência, tempera­tura, que são únicas para cada pessoa;
  4. quais as sensações corporais que a comida desperta em ti, isto é, como te sentes durante e após comeres.

Antes e enquanto comes, permite que o teu corpo sinta realmente os aromas e a aparência do alimento. Considera a escolha do alimentos com base no aroma e no sabor, bem como pela aparência. Isto ajudar-te-á a ativar a tua resposta parassimpática e iniciar a tua função digestiva antes mesmo de começares a comer. 

Sentir prazer com as refeições aparece quando realmente se reflete sobre aquilo que gostamos de comer, quando nos damos permissão para comer aquilo e, então, relaxamos e aproveitamos o alimento.
(indiferentemente se é mais ou menos nutritivo). 

Vê também: Descobrir o factor satisfação

E como se costuma dizer: comer é um dos prazer da vida, certo? 😍

Então chega de sofrer com as refeições. 
Chega de viver numa prisão alimentar.

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