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10 PASSOS PARA SUPERAR A COMPULSÃO ALIMENTAR

Numa fase mais desafiante da minha vida cheguei a ter compulsão alimentar que surgiu como forma de escapar aos meus sentimentos.  Era a minha estratégia para apaziguar a angústia que sentia. 

Passei noites e noites sozinha em casa a comer pacotes inteiros de bolachas. 
Estes comportamentos e escolhas fizeram com que durante anos me esquecesse de mim. Não entendia como seria possível alguma vez vir a gostar de mim mesma, de me aceitar ou simplesmente de melhorar.

No entanto, eu sabia que a compulsão alimentar não era normal e que teria de parar. 
Apesar de ter uma alimentação equilibrada na altura e com uma prática regular de exercício físico, este comportamento era totalmente incoerente ao meu estilo de vida atual.
Algo, para além da alimentação, se passava comigo e era à noite que que tudo vinha, tendencialmente às sextas feiras.

Era uma vontade tão grande que um simples “fecha a boca” não resultava.

É quase como uma necessidade incontrolável e parece até que somos dominadas pela vontade. Quando dava conta já tinha terminado o pacote de bolachas, sendo que o mesmo já me tinha deixado de saber “bem” logo no início… mas a necessidade de satisfazer o vazio era maior. 

A culpa e a frustração de não entender o porquê daquilo estar a acontecer invadia-me, sobretudo quando ficava mal disposta, aí sim, sentia-me profundamente culpada, mas culpa essa que no dia seguinte era totalmente esquecida. 

Ainda assim, foi possível superar a minha compulsão alimentar. E como tudo mudou?

Deixo-te aqui 10 passos que fará toda a diferença na tua compulsão alimentar:

1 – Entender a razão destes episódios

Muitas vezes achamos que a compulsão alimentar é algo relacionado com a comida ou com determinado alimento, mas na verdade não. 
Em sessão até já me chegaram a dizer que provavelmente são viciadas em comida, mas na verdade, na maioria das vezes não temos consciência real do gatilho. 
Quando sentires essa vontade, para e pensa: o que eu estou a sentir? o que eu estou a pensar?

2 – Alinhar expectativas

Devido à minha doença de visão passei grande parte da minha vida frustrada sem entender como poderia eu um dia gostar de mim, conseguir viver à minha maneira sendo uma pessoa independente como valorizo ser. No entanto, eu imaginei o meu futuro de uma determinada maneira, rodeada de pessoas do bem, numa vida dita “perfeita”, só que com o passar dos anos eu entendi que foi tudo exatamente ao lado. A doença inevitavelmente mudou a minha vida e eu não consiga, nem consigo, de maneira alguma controlar o que não depende de mim. 
A frustração de não poder tirar a carta, de não ter autonomia de deslocação, de não conseguir trabalhos por não conseguir ver, entre outras coisas, fizeram-me cair na realidade… Pura e dura realidade. 
Por isso, é importante alinhar a expectativa à realidade. Não há perfeição. Não há dias perfeitos, casamentos perfeitos, corpos perfeitos. 
Desde o momento em que aceitei que há muita coisa que eu não posso controlar, tudo ficou mais leve. 
Quais são as tuas atuais expectativas que não tens conseguido alcançar? 

3 – Aprender a dizer não: não quero, não preciso, não gosto, não permito.

Após ter entendido o gatilho emocional por detrás da compulsão alimentar, eu tomei consciência de certas coisas que me potenciavam aquela emoção. Coisas essas que eu precisava de mudar para alterar aquele estado e a forma mais natural de o fazer foi dizer: NÃO. 
O que fazes hoje em dia dizendo sIm, quando na verdade a vontade era de dizer NÂO?

 4 – Falar. Falar muito.

Durante a minha caminhada de transformação eu tive a necessidade de falar, falar muito, desabafar, procurar ajuda, conselhos, apoio. Falar, deitar tudo cá para fora ajuda-nos na cura. Tudo fica mais claro e menos pesado. 
Não precisamos de carregar tudo na nossa mente. 
O que te faz sofrer atualmente? Com quem podias falar sobre isso?

5 – Mudar a rotina

Muitas vezes eu tinha os episódios por pura rotina. Ou seja, quando estava no mesmo estado emocional ou no mesmo local era automático o meu comportamento. Por isso, mudar as rotinas, os lugares, o local dos alimentos… Isto ajuda-nos a quebrar o comportamento automático e assim temos a oportunidade de pensar antes de agir. 
Onde costumas ter as compulsões? O que normalmente sentes?

6 – Deixar de lado as dietas

Não era o meu caso, pois como te disse eu já tinha uma alimentação equilibrada e um estilo de vida ativo, no entanto, vejo, pela minha experiência profissional que quanto mais restrições alimentares fazes mais vontade de produtos “proibidos” tens. 
Não há necessidade de privação havendo a possibilidade de escolha. (fica a saber mais sobre como rejeitar a mentalidade de dieta)
És tu que controlas o alimento e não o alimento que te controla a ti. 
É natural que o teu cérebro te dê sinais notórios de aumento da fome e salivação (que podem resultar em compulsões alimentares) pois está com carência de nutrientes para conseguir funcionar corretamente. 
Quais são os alimentos que consideras “proibidos” e que adoras?

7 – Um jantar que te sacie

É importante teres uma jantar completo e que te promova saciedade. Não estou a dizer para cortares os hidratos à noite, até pelo contrário, deves incluí-los só que numa forma estratégica. 
Primeiro fazer uma refeição com todos os macronutrientes – HC, proteína e gordura, adicionar ainda legumes. 
Os HC ao serem integrais diminuem o impacto da glicose no sangue por serem mais ricos em fibra e mesmo não sendo, conjugados com outros alimentos, esses picos já não ocorrem. 
Este aspeto é muito importante pois, primeiro, se estás de dieta de certeza que cortaste nos HC, se não estás de dieta e se tens uma alimentos desequilibrada, comes HC em exagero. 
Embora os HC não terem qualquer problema, quando o teu jantar é rico em HC vai potenciar uma digestão rápida e uma subida muito grande da glicose no sangue, isto vai resultar num acúmulo de gordura, pois toda a energia gerada que não é gasta vira gordura. (daí comer menos à noite ser vantajoso)
No entanto, este processo potencia a fome mais rapidamente. O teu cérebro depois da descida repentina de glicose dará sinais de falta de alimento e aí vem a tua necessidade constante de comer após o jantar. 
O que costumas jantar nos dias em que tens compulsões?

8 – O que não é visto, não é lembrado

Algo que te pode ajudar na compulsão alimentar é evitar ter em casa o alimento preferido para esses momentos.
No entanto, este comportamento só deve ser mantido até teres maturidade emocional.  
Quando adquirires uma boa relação com a comida, evitar ter alimentos de que gostes em casa, já não será um problema. 
O que poderias deixar de comprar?

9 – Rende-te! 

Assume os teus sentimentos e emoções. Não te sintas envergonhada, culpada nem frustrada com isso. Ter alturas vulneráveis na vida é perfeitamente normal e elas acontecem por alguma razão. Normalmente é um sinal do nosso corpo para mudarmos algo que nos está a afetar, basicamente é um mecanismo de defesa. 
O teu corpo está do teu lado e tudo o que faz é para a tua inteira proteção. 
Não te inferiores dizendo a ti mesma que és fraca ou que não consegues. Todo esse diálogo interno só fará com que potencies essas crenças em ti mesma. 
Assume a tua fragilidade, procura ajuda e rende-te à mudança. 
Eu tive de tomar duras e sérias decisões: terminei uma relação de anos, deixei um emprego onde estava efetiva, deixei de frequentar diversos locais, deixei de me relacionar com muitas pessoas e tudo isto porque me priorizei.
Rendi-me ao meu bem estar e disse CHEGA! 
E tu, a que é que precisas de dizer chega?

10 – Investe em ti, no teu autoconhecimento

Toda a minha mudança só foi possível, tal como todos os desafios na minha vida, através do mergulho constante em mim – autoconhecimento.
Desde o momento em que vives uma vida alinhada ao teu ser, torna-se mais fácil entender e ouvir os sinais internos. 
Sempre que necessitares de ajuda, ao estares conectada contigo, as respostas vão surgir intuitivamente.

Tudo tem uma razão para acontecer. 
Desde o momento em que percebes que algo está errado contigo é um excelente sinal para começares a mudança. 
Quem és tu por detrás dessa emoção? Fica a descobrir através do Método Alinha.

Sem consciência não há referência e sem referência não há uma nova experiência.

As compulsões alimentares são só o chamamento do teu corpo para que ouças a tua mente.

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